Uma menina me ensinou, quase tudo que eu sei. Era quase escravidão, mas ela me tratava como um rei. Ela fazia muitos planos, eu só queria estar ali sempre ao lado dela… Eu não tinha aonde ir. Mas egoísta que eu sou, me esqueci de ajudar a ela como ela me ajudou, e não quis me separar. Ela também estava perdida, e por isso se agarrava a mim também. E eu me agarrava a ela porque eu não tinha mais ninguém. E eu dizia: “Ainda é cedo.” Sei que ela terminou o que eu não comecei. E o que ela descobriu, eu aprendi também, eu sei. Ela falou: “Você tem medo.” Aí eu disse: “Quem tem medo é você.” Falamos o que não devia nunca ser dito por ninguém. Ela me disse: “Eu não sei mais o que eu sinto por você. Vamos dar um tempo, um dia a gente se vê.” E eu dizia: “Ainda é cedo.
Amar, afinal, é ir e vir, sempre. É deixar este buraco quando se vai e não esperar pela volta certa e cronometrada. É por isso que as pessoas me deixam, absolutamente todas. É um vício, acho, o de abandonar. Porque eu também não consigo permanecer, aceitando toda essa avalanche, toda pressão exercida sobre mim. O mundo, na verdade, é uma bola bem pesada que me diz o que ser, o que ter e o que fazer. Talvez ninguém entenda que é como não ter ar para respirar, talvez ninguém compreenda o fato de pássaros nascerem livres e terem a necessidade de voar. Aqui não é o meu lugar, eu sussurro antes de dormir. Aqui não é a minha vida, aqui não é o meu lar. Amar, afinal, é sempre ir embora sem a esperança do reencontro, e eu sinto que jamais, nunca, em hipótese alguma, aqueles que foram voltarão inteiros. Eu também estou indo. É doloroso pensar nisso, e viver uma vida que não é sua, ir à faculdade, ver televisão, ouvir música, ler e fazer tudo, mas não ter nada. Ir e vir, sempre, com a consciência de que a dor está pior e que os dias estão minimizados e esmagam, me esmagam, me apertam, me sufocam. Todos estão tão felizes, que eu quase acredito que também nasci para ser feliz e que, possivelmente, esta será mais uma frustração no futuro. Todos amam esta beleza exterior, enquanto eu só sei ver o que há dentro. Todos geralmente sorriem e eu só choro porque o abraço não é forte e a verdade é engolida sem ser percebida. Ninguém, nunca, me foi inteiro; me foi de verdade; foi meu. Eu nunca tive ninguém, nunca, nunca pude abraçar alguém e dizer “você não me escapa mais”, porque, por mais que eu queira, partidas não dependem só de mim. E é disso que todos nós somos feitos: abandonos.
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Igor Pires, Floresinexatas.
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Nunca tenha ingratidão com quem já te fortaleceu.
Às vezes, no silêncio da noite eu fico imaginando nós dois. Eu fico ali, sonhando acordado. Juntando o antes, o agora e o depois. Por que você me deixa tão solto? Por que você não cola em mim? Tô me sentindo muito sozinho! Não sou nem quero ser o seu dono, é que um carinho às vezes cai bem. Eu tenho os meus desejos e planos secretos, só abro pra você, mais ninguém. Por que você me esquece e some? E se eu me interessar por alguém? E se ela de repente me ganha? Quando a gente gosta é claro que a gente cuida. Fala que me ama só que é da boca pra fora. Ou você me engana ou não está madura. Onde está você agora?
Na vida e no amor não temos garantias. Portanto, não procure por elas. Viva o que tem que ser vivido. Sem medos. O medo é um dos piores inimigos do amor e da felicidade.
Talvez você case, talvez não. Talvez tenha filhos, talvez não. Talvez se divorcie aos quarenta, talvez dance ciranda em suas bodas de diamante. Faça o que fizer não se auto congratule demais, nem seja severo demais com você, as suas escolhas tem sempre metade das chances de dar certo, é assim para todo mundo
Sofro de urgências, não gosto de esperar.